quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fim



Mais um fim de ano com festas e piscas. Não entendia o porquê de tanta gente não gostar de fim de ano, mas hoje, tudo faz sentido. O passado e o presente vêm como uma rasteira nos transformando em pó. Esperamos festejar com pessoas que já não existem, ou não estão pra nós. Percebemos que as palavras não foram ditas, as viagens canceladas, os sonhos não foram alcançados... A nossa vida quebra como um vidro. Virou caco, restou pó. Nem santidade, nem insanidade. Nem choro, nem risos. Nem samba, nem rock. Nem paz, nem guerra. Apenas minha bipolaridade interna. Indiferente. Um tanto incomodada por ser verso triste, mas para a época do ano, em cacos e maquiada, exalo minha indiferença. É assim que me desfaço.

2012 está consumado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

regurgitar



Não contem para as crianças, mas, conto de fadas não existe e às vezes é necessário que se esvazie de amor. 

Helen.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Exploração e Conformismo




     O conformismo da vida corriqueira que impede o homem de ler o jornal diário por inteiro, é o mesmo causador de filas em salas psiquiátricas e avanço no faturamento das empresas de medicamentos. O homem respira, mas não tem tempo de suspirar. Este  tempo foi roubado. Por quem? Por quê? Tampouco importa. Tempo não volta. Acho louvável quem não se conforma, pois hoje, todo modo de sobrevivência e exploração do tempo é aceito pela sociedade sem militância, mas, lutar com quem? De quem é a culpa? É minha? É sua? É do trabalho? É da busca incansável pela melhoria de vida? É da exigência por conhecimentos? Dinheiro? Ofertas? Não importa. Tempo não volta. O tempo de prosa com café já não existe, tudo é expresso. Rápido. Fácil. Tudo é “Fast food”, inclusive a vida. Ela (a vida) passa tão rápido, que quando se vê, toda grandeza que o mundo promete através da exploração do seu tempo é perdido e o seu suspirar com "o simples" e que de fato importa, é roubado. Tempo não volta. Não vejo fins lucrativos em fechar o olho para o essencial, portanto, quero sentar na sombra de uma jabuticabeira, comer de seus frutos e ver o sol se pôr. Esta atitude pode ser simples, mas é meu grito de independência do tempo, ele é meu, e não quero me conformar e depender de calmantes pra dormir.


Helen Ariane.

sábado, 18 de agosto de 2012

Porto seguro



Junho de 2009, não vou me esquecer. Aquele tipo engraçado, com sorriso bobo... e eu? Eu me perdi naquele abraço e me entreguei. Dei meu número de celular e meu coração, aberto pra teus mistérios. Nunca pensei que dentro de um abraço poderia caber um sentimento tão grande que pudesse me tirar da lama, do buraco, do fundo do poço. Eu contei, contei minha dor e pedi pra Deus pra que me aceitasse. Cruzei os dedos para que me amasse. E você me amou, e me ligou, e se importou.  Você me deu colo e me ouviu, e não ligou pro meu corpo, por pele. Você me amou por dentro. E eu que carregava segredos dolorosos, tive alguém pra dividir, me ouvir, e enxugar minhas lágrimas. Então, em agosto do mesmo ano, você pediu pra ser sua, mal sabia você que meu coração já era todinho seu. E eu tive a certeza de que Deus ouviu minhas orações me dando vontade de mudar de sobrenome, de morar sob o mesmo teto e dividir o edredom. E mesmo você me fazendo acreditar que pode existir várias Evas pra um Adão, eu quero só um adão, e é aquele que borra meu batom, mas nunca meu rímel. É aquele que enxuga minhas lágrimas, e não é o motivo delas. É você, que me abraçou e mudou minha história. Hoje eu posso ter um final feliz, exatamente como eu pedi pra Deus. Eu e você.  

Helen Ariane